quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Iracema Vale de volta ao PT: decisão de Brasília, não de bastidor local

A tentativa de vender o possível retorno de Iracema Vale ao PT como fruto de uma articulação local, capitaneada por nomes do diretório estadual, acaba por diminuir a força do convite feito a presidente da Alema.

Essa história não nasce em São Luís.
Ela vem de Brasília.

A proposta parte da direção nacional do PT, conduzida pelo presidente do partido, Edinho Silva, como uma solução estratégica para manter o PT integrado ao governo Carlos Brandão até o fim do mandato e já projetar o próximo ciclo eleitoral. Trata-se de uma decisão política nacional, comunicada e validada em reunião do próprio governador com lideranças petistas.

Ou seja: não é especulação, é encaminhamento político.

Nesse contexto, o papel do PT estadual é claro — executar e reforçar uma diretriz já definida, não criá-la. Figuras como o ex-deputado Zé Inácio cumprem a função de porta-vozes, ajudando a dar forma pública a uma construção que já veio pronta do andar de cima. Atribuir a ele o papel de articulador central é superestimar o alcance local e subestimar como decisões majoritárias realmente são tomadas.

Iracema Vale, por sua vez, não surge por acaso.

Aliada de primeira hora de Carlos Brandão, ex-filiada ao PT até 2021 e quadro relevante da legenda à época, ela reúne características que hoje são raras no campo progressista maranhense: lealdade política, capacidade de articulação institucional e força eleitoral comprovada. Em 2022, foi a deputada estadual mais votada, com mais de 100 mil votos, consolidando-se como liderança de alcance estadual.

Para o PT nacional, Iracema resolve múltiplas equações ao mesmo tempo:

– Mantém o partido no centro do governo estadual;

– Evita isolamento político no Maranhão;

– Apresenta um nome competitivo para o Senado;

– E contribui para a estratégia nacional de fortalecer a bancada de esquerda na Câmara Alta.

É nesse tabuleiro que se insere a decisão de Carlos Brandão de abrir mão da disputa pelo Senado e permanecer no cargo até o fim do mandato. O gesto, longe de ser recuo, é movimento calculado: preserva o controle da sucessão, evita riscos administrativos e abre espaço para que o campo progressista dispute duas vagas ao Senado, em consonância com a estratégia do PT e do governo Lula.

Portanto, o que está em curso não é um capricho local nem uma articulação improvisada.

É engenharia política nacional, com aval do Palácio dos Leões e execução pelo PT estadual.

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